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    CRIAR GIR? POR QUÊ?

    Meu avô materno, Marcírio Pereira que não conheci, era de origem portuguesa, da Ilha da Madeira, era um grande criador de gado, em Santa Maria do Butiá, em Lomba Grande, especialmente no período entre as duas grandes Guerras mundiais. Minha vó, Etelvina Pereira, quando já viúva, passou a morar com meus pais, Arcedino e Ercília (filha de Etelvina), casados em 31 de dezembro de 1949.
    Meu pai, agrimensor renomado na região, talvez por ser discípulo do genial João dos Reis “João Quincas”, meu bisavô paterno que também não conheci, mudou-se do Taimbé para Santa Maria do Butiá e continuou exercendo sua profissão. Igualmente minha mãe professora Municipal desde 1945, continuou lecionando na localidade que fazia 3 anos havia sido anexada de São Leopoldo para o novo Município, Novo Hamburgo, com seus cerca de 160km2.
    Nasci no campo e nele vivi até junho de 1958, quando tinha 7 anos, quando meu pai mudou-se com toda a família (4 filhos) e minha vó, para a cidade de Novo Hamburgo, para permitir que os filhos pudessem estudar.

    E o que tem de gir neste relato?

    No curto período do campo, lembro-me de algumas coisas ligadas às vontades que tive mais tarde e inter-relacionadas. Minha mãe tirava o leite de duas ou três vacas, que serviam a casa e pela manhã, bem cedo, antes de iniciar as aulas (e minha mãe era minha professora) eu era o responsável, quando não estivesse chovendo, pela entrega de 2 tarrinhos de leite (acho que eram galões de tinta óleo, recuperados) ao caminhão do leite que recolhia a produção leiteira da localidade. Caminhava uns 300 metros, entregava o leite e voltava com as latas vazias, tendo orgulhosamente entregue aqueles 4 ou 5 litros de leite, daquelas vacas zebus.
    A vida da cidade e na cidade me fez esquecer o campo. Mas meu pai e minha mãe nunca esqueceram. Mantiveram até os seus últimos dias, pedaços de suas origens naquelas terras, sempre criando um “gadinho” e me incentivando em minhas iniciativas.
    Desenvolvia minhas atividades no ramo da construção civil e loteamentos, enquanto permaneciam latentes as marcas das origens, inclusive minha lembrança de quando tinha meus l2 anos, quando ganhei uma terneira “zebu”, quase preta, de meu padrinho Doralino Pereira, que ficou no campo do meu pai e significou o berço e quiçá a motivação do gosto pelo gado zebu.
    Em 1982, em viagem que fiz à Europa, conheci um amigo, de saudosa lembrança, Dr. Aury Avillez, um advogado carioca, aposentado do Banco Central, que me disse com seu sotaque característico: “Jaime, vou te levar a Uberaba e vais conhecer a Fazenda Campo Verde que é propriedade de um baiano que tem uma construtora em Salvador e é meu cliente e você ao invés de criar jacaré com cobra d’água nestes campos limitados que tem, vai criar qualidade com o mesmo envolvimento”.
    Fizemos amizade e só no verão de 1989, junto com Dr. Aury, conheci Dr. Antonio Paulo, dono da Campo Verde, pioneiro de transplante de embriões no Brasil. Devo destacar, entretanto, que anteriormente, naquela espera de aeroporto-avião, comprei um livro grosso, “O ZEBU”, ao que me lembro, de autoria de Alberto Santiago. Naquela longa espera li muito e cheguei a Uberaba predisposto ao GIR MOCHO, denominado zebu romântico, por seu notório lacrimejar.
    Antônio Paulo tinha 11 vacas, o saldo de um recente leilão da fazenda, todas gir mocho e fazia liquidação de plantel. Estava um pouco adoentado e queria lotear a Campo Verde. Comprei as 11 gir mocha e havia mais 3 crias ao pé, uma delas filha do Raro e outra do Marduque, que eu mal sabia sua importância.
    Por volta de março de 1989, chegaram em Novo Hamburgo, Lomba Grande, Taimbé os animais comprados. Por inexperiência (não tinha nem 40 anos) fui examinar detidamente documentação, idades, registros e percebi que a fêmea mais jovem tinha 11 anos e a mais velha havia nascido em 1976. Porém, gostei tanto dos animais, que resolvi adquirir mais.
    Um amigo de Antônio Paulo, Sr. Milton Carvalho de Castro, criador de gir mocho, queria partir para a criação extensiva de Nelore, no Mato Grosso, e queria desistir do manejo e ordenha do gir, já que o preço do leite era desastroso. Então comprei do Sr.Milton que vendeu cerca de 80 animais, quase 90% fêmeas.
    Em fins de abril de 1989, chegaram em Taimbé, onde eu morava, dois caminhões Romeu e Julieta trazendo os animais. Não tinha galpão, campo, cerca, estrutura. Foi uma aventura. E já no dia 29 de abril nascia Macho dos Pampas, o meu número um, RGN 1 e RGD K2969, filho de Varua (K 1078), uma filha de Óbio, a melhor vaca mocha que tive. O pai era Acarajé e quase todo o plantel oriundo do saudoso Romulo Kardeac de Camargo.
    Em maio de 1989 nascia a primeira fêmea, RG 2 e RGD 8022,filha do Bordalo da JIC. A base do plantel adquirido era quase 100% mocho, a partir de Marduque, Raro, Marahani, Exportado da Floresta, que vieram ao Romulo Camargo, oriundos de José Irineu Cabral. Devo ainda destacar que durante a Expointer de 1994, efetuei o primeiro registro Girolando do Rio Grande do Sul, com a fêmea de nome Kanegir, filha de um touro holandês preto e branco, KANE e de minha melhor vaca, a Varua (KA1078). A marcação a fogo foi executada pelo saudoso Ministro da Agricultura, Dr. Synval Guazelli e com todo o aparato quase oficial, a fêmea que ainda pertence ao meu plantel, só pode permanecer no parque de exposições por 24 horas, já que o fato poderia representar uma ameaça a algumas raças leiteiras. Hoje isso não existe mais, foi superado pelo tempo.
    Produzi nestes mais de vinte anos, gir mocho padrão, gir, girolando, fazendo inseminação desde 1991, participando de programas importantes, como o da Yakult-Embrapa de 1998, com inseminação no escuro, para baterias de touro gir leiteiro. Porém, destaco que dentre os sêmens utilizados estão: Omega Faisão, Oriente Morcego, Garimpo, Rancheiro da Cal, Beduino da São José, Cadarso, Jacarandá, os mais notórios. Acabei fazendo um trabalho de certo modo fechado, não deliberadamente, mas foi acontecendo.
    Quando houve o foco no gir leiteiro, sem abandonar o dupla, a partir de 2006, passei a usar inseminação com touros provados: Sansão, Barbante, Vale Ouro da Silvânia e outros touros não provados, entretanto filhos de touros consagrados e provados e de mães provadas e consagradas, a saber: Gir - Espelho (Everest e Profana), Famoso da Silvânia(Sansão e Nata), Panamá de Kubera (Benfeitor e Nefrita), Dom da Silvânia(Meteoro e Garbha), Fardo Mutum(Radar das Poções e Dengosa); Gir Mocho –Irado(Meteoro e Fada), Quilate(Marduque II e Garrafa).

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